2.1.07

Solidez no virtual

Minhas reflexões sobre utopias igualitárias andavam meio pessimistas. Quem mandou ler Sade? Comecei a acreditar que o capitalismo nunca seria introdutível no seu próprio esquema de falência, exatamente por se apresentar como algo inerente à condição humana. O prognóstico marxista de que o capital entraria em crise quando se deparasse com a sua impossibilidade expansiva soa como uma grande falácia. Foi por esse motivo que comecei a procurar novos meios de ruptura dos grilhões gerados por tal sistema.
De um modo inusitado, conheci movimentos dentro da Internet, precursores de uma atitude antagônica à da lógica dominante da escassez: acessibilidade.
Isso, aos poucos, vai transformando todas as instituições vigentes e seus significados. A política nunca mais será a mesma após uma verdadeira experiência de democracia participativa. A imprensa, assim como a educação, já está sofrendo alterações radicais com a decadência do monopólio da fala. Isso sem contar nas indústrias culturais, em guerra declarada com as ferramentas digitais de inclusão que as inutilizam como intermediárias. Sim, estou um tanto empolgada demais com a revolução digital. Nela vejo uma saída para resistir, ou seria re-existir?
Não sei se isso será frustrante no futuro, mas já é uma previsão positiva e mais sólida, se é que isso é possível na nossa líquida modernidade.

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